Diferença entre cultura e lazer nos 126 anos da "Sem
Limites"
Paulo Eduardo Tonon
21.07.2022
Nas últimas semanas, a divulgação de que o governo Suéllen
vai gastar quase meio milhão de reais para comemorar o aniversário de Bauru
gerou muitos comentários, tanto na mídia tradicional quanto nas redes sociais.
Mas, antes de qualquer opinião, é preciso entender o que realmente é cultura e
qual é o papel do poder público em relação a ela. A palavra é derivada de
cultivo, algo que se produz ao longo do tempo e se transforma em hábitos,
comportamentos, valores, saberes etc
Neste sentido, a Secretaria de Cultura de Bauru deveria
atuar para manter preservados os prédios que fazem parte do patrimônio
histórico exclusivo do nosso município. Ou, ainda, fortalecer quem dedica sua
vida para transferir conhecimentos relacionados a qualquer manifestação
artística para as futuras gerações, ou aqueles que trabalham para manter ou
criar novas tradições relacionadas às áreas da música, literatura, dança e
teatro, entre outras, aqui na cidade.
Portanto, assim como é imprescindível que um indivíduo vá para escola por anos para que ele obtenha educação de qualidade, é óbvio que não se faz cultura da noite para o dia. Muito menos em quatro dias de festa. Isto é entretenimento pontual, de 28 de julho a 1º de agosto.
Inclusive, na minha interpretação, os gastos para a contratação dos artistas que vão se apresentar neste evento deveriam ser custeados pela estrutura pública criada para isso: a Semel, que, como o próprio nome diz, é a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer. Festa de aniversário é lazer!
Cultura é outra coisa, que demanda planejamento de longo
prazo e gestão permanente feita por profissionais técnicos com formação
especializada neste setor, para que não haja desperdício de dinheiro público.
O autor é colaborador de Opinião.


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